67ª Berlinale: Vitória Guerra e quatro curtas portuguesas em Berlim

Os realizadores portugueses João Salaviza, Salomé Lamas, Diogo Costa Amarante e Gabriel Abrantes, vão concorrer ao Urso de Ouro de curta-metragem da Berlinale 2017, um dos maiores festivais europeus que vai realizar-se de 9 a 19 de Fevereiro em Berlim. Vitória Guerra vai ser a nossa estrela de serviço na selecção Shooting Stars.

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As curtas-metragens Altas Cidades de Ossadas de João Salaviza, Coup de Grâce, de Salomé Lamas, Cidade Pequena, de Diogo Costa Amarante, Os Humores Artificiais, de Gabriel Abrantes foram selecionadas para a 67ª Berlinale – Festival Internacional de Cinema de Berlim, que terá lugar entre 9 e 19 de fevereiro na capital alemã.

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Os quatro filmes portugueses integram a competição Berlinale Shorts — duas em estreia mundial — e concorrem, juntamente com outras 23 curtas de 19 países diferentes, ao Urso de Ouro e Urso de Prata.

'Colo', de Teresa Villaverde

Trata-se de uma presença extraordinária da produção nacional nas competições da Berlinale, que o próprio festival destacou em comunicado, e talvez a maior representação portuguesa de que há memória, pois além destas curtas, vai estar na mostra de longas-metragens Colo, de Teresa Villaverde. 

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Altas Cidades de Ossadas é o mais recente trabalho de João Salaviza, realizador que regressa a Berlim após ter conquistado o Urso de Ouro 2012, com Rafa. Esta sua nova curta-metragem é produzida agora pela Terratreme Filmes conta a história de Karlon, um jovem nascido na Pedreira dos Húngaros, — mais um bairro problemático dos arredores de Lisboa — pioneiro do rap crioulo que fugiu do bairro onde foi realojado. Altas Cidades de Ossadas é uma espécie de tateio inquisitivo e imaginativo às suas memórias, ao cerco institucional, e às histórias submersas de um tempo sombrio, cita a nota da produção.

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Coup de Grâce de Salomé Lamas, produzida pela O Som e A Fúria, segue Leonor, uma mulher que regressa de viagem num dia em que o seu pai Francisco já não a esperava. No espaço de 24 horas ambos vivem uma realidade alucinada, conduzida, em crescendo, pela inquietação de Francisco num registo de aparente normalidade.

Tanto o filme de João Salaviza como o de Salomé Lamas vão ser apresentados em estreia mundial.

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Cidade Pequena, de Diogo Costa Amarante conta a história de Frederico que, em setembro, aprende na escola que as pessoas têm cabeça, tronco e membros, e que se o coração pára morrem. Em outubro, a mãe apercebe-se que ele está a crescer, que as estações correm indiferentes ao ritmo lento de uma pequena cidade. Trata-se de uma ficção de 20 minutos, que estreou em julho de 2016 no 24º Curtas Vila do Conde.

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O quarto filme português a concurso na Berlinale Shorts chama-se Os Humores Artificiais, de Gabriel Abrantes. Foi rodado em Mato Grosso (Canarana e nas aldeias Yawalapiti e Kamayura dentro do Parque Indígena do Xingu) e em São Paulo, no Brasil. É um filme que mistura um certa estética hollywoodiana com abordagens típicas do registro documental, contando a jornada de uma indígena-actriz que se une a um robô e acaba por conquistar a fama na indústria cultural de massas brasileira. Trata-se de mais uma obra, de natureza insólita, na linha das anteriores do realizador, que coloca em questão os hábitos humorísticos de diversos grupos indígenas, em contraste com o progresso e a inteligência artificial.

O júri da Berlinde Shorts é composto por Christian Jankowski, artista e professor alemão, Kimberly Drew, curadora, escritora e gestora de redes sociais do Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque, e pelo chileno Carlos Núñez, programador de festivais de cinema e produtor de filmes.

Destacam-se mais presenças portuguesas neste 67º Festival Internacional de Berlim. No Berlinale Talents, um dos programas paralelos deste festival, destinado a proporcionar contactos com jovens talentos profissionais do cinema, estarão presentes os realizadores Luís Campos e Mário Patrocínio e o projeto de documentário A Short Film For Te Dead, do singapurense Daniel Hui, co-produzido por Tan Bee Thiam, e pelos portugueses Joana Gusmão e Pedro Fernandes Duarte.

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Algo que não acontecia a alguns anos, a atriz portuguesa Vitória Guerra faz parte da exclusiva seleção do Shooting Stars, um importante programa que ajuda a revelar internacionalmente novos talentos do cinema europeu e que aproveita a Berlinale como plataforma mediática.

José Vieira Mendes

Jornalista, crítico de cinema e programador. Licenciado em Comunicação Social, e pós-graduado em Produção de Televisão, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. É actualmente Editor da Magazine.HD (www.magazine-hd.com). Foi Director da ‘Premiere’ (1999 a 2010). Colaborou no blog ‘Imagens de Fundo’, do Final Cut/Visão JL , no Jornal de Letras e na Visão. Foi apresentador das ‘Noites de Cinema’, na RTP Memória e comentador no Bom Dia Portugal, da RTP1.  Realizou os documentários: ‘Gerações Curtas!?’ (2012);  ‘Ó Pai O Que É a Crise?’ (2012); ‘as memórias não se apagam’  (2014) e 'Mar Urbano Lisboa (2019). Foi programador do ciclo ‘Pontes para Istambul’ (2010),‘Turkey: The Missing Star Lisbon’ (2012), Mostras de Cinema da América Latina (2010 e 2011), 'Vamos fazer Rir a Europa', (2014), Mostra de Cinema Dominicano, (2014) e Cine Atlântico, Terceira, Açores desde 2016, até actualidade. Foi Director de Programação do Cine’Eco—Festival de Cinema Ambiental da Serra da Estrela de 2012 a 2019. É membro da FIPRESCI.

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