©Festival Cannes

73º Festival Cannes: Corona Cannes

Tanto a organização do 73. Festival de Cannes como do Mercado do Filme, que funcionam em paralelo parecem confiantes de que se vão realizar pese embora a ameaça do coronavírus. A organização explica porque, para já, não há vírus que pare um Festival!

Não me recordo de ter recebido nos últimos 20 anos que acompanho o Festival, um comunicado de imprensa tão incisivo e antecedente da direção do Festival de Cannes, a marcar a data do anúncio de apresentação da Seleção Oficial 73. O comunicado recebido há dias referia com uma antecedência razoável, que a Seleção Oficial será apresentada durante uma conferência de imprensa, por Thierry Frémaux, Delegado-Geral (ou Director-Artístico) do Festival de Cannes, na presença de Pierre Lescure, o seu Presidente, na quinta-feira, 16 de abril de 2020 às 11:00 nos cinemas UGC Normandie, em Paris. Nada de novo, se a acrescentar não viesse aa seguintes frases: ‘As acreditações continuam em ritmo constante e aumentaram até cerca de 9%, até ao momento, em relação ao ano anterior. O Júri da Competição, presidido pelo realizador Spike Lee, escolherá a Palma de Ouro, entre os filmes anunciados no final do Festival, que se vai realizar de 12 a 23 de maio’. Sem hesitações!

De facto, tanto as organizações do Festival de Cannes, como do paralelo Mercado do Filme, dizem que estão a preparar as respectivas edições de 2020 e, que se irão realizar de 12 a 23 de maio, em resposta à crescente especulação de que poderiam ser cancelados devido ao surto de coronavírus: ‘Estamos a trabalhar na seleção oficial. Os filmes estão a chegar normalmente’, disse a porta-voz do festival à revista Screen. E acrescentou que a conferência de imprensa anual, que anuncia a Seleção Oficial vai-se mesmo realizar a 16 de abril nos míticos cinemas do centro de Paris. As especulações de que o Festival de Cannes poderia não acontecer, intensificaram-se no passado dia 4 de março, quando os organizadores do habitual mercado de conteúdo televisivos MIPTV, anunciaram o cancelamento da edição de 2020, que aconteceria entre 30 de março e 2 de abril em Cannes, devido a coronavírus.

©José Vieira Mendes
Lê Também:
Cine Quarentena | ’Uma Escolha Imperfeita’: Sexo e Crise de Meia-Idade

No início da semana, também a feira do imobiliário MIPIM, que se realizaria em Cannes em meados de março, foi adiada para o início de junho. Relatos da imprensa referiam que a empresa de eventos Reed MIDEM, que organiza o MIPTV e o MIPIM, foi mesmo forçada a adiar ou cancelar os eventos devido à proibição do governo francês de reunir mais de 5.000 pessoas para impedir a propagação do coronavírus.

©José Vieira Mendes

Neste contexto de número de pessoas, a porta-voz do festival apressou-se a dizer que esta regra não se aplicava nem ao Festival de Cannes, nem ao Mercado do Filme, porque estes nunca reuniam mais de 5.000 pessoas num local fechado, em qualquer dos seus momentos. O Grande Auditório Lumière do Palácio dos Festivais acomoda cerca de 2.300 pessoas: ‘A diretiva não se aplica ao festival porque nunca temos mais de 5.000 pessoas no mesmo momento confinadas a um espaço confinado’, disse ela. Na quinta-feira passada, havia cerca de 285 casos confirmados da doença em França e quatro mortes. Um total de 13 casos de infectados pelo coronavírus ocorreu na região de Provence-Alpes-Côte d’Azur, onde fica localizada, a amena cidade de Cannes. No entanto, a mesma porta-voz disse que a situação do Festival de Cannes era diferente da do MIPTV ou MIPIM: ‘Não estamos lidando com o mesmo prazo. Tanto para o festival quanto para o mercado, seria prematuro estar a falar sobre o cancelamento de eventos que devem ocorrer no espaço de dois meses e meio’. E referiu ainda que: Claro que continuamos em contato com as autoridades locais e nacionais e seguiremos suas diretrizes, mas no momento não há nada que indique que o festival não acontecerá’.

JVM

José Vieira Mendes

Jornalista, crítico de cinema e programador. Licenciado em Comunicação Social, e pós-graduado em Produção de Televisão, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. É actualmente Editor da Magazine.HD (www.magazine-hd.com). Foi Director da ‘Premiere’ (1999 a 2010). Colaborou no blog ‘Imagens de Fundo’, do Final Cut/Visão JL , no Jornal de Letras e na Visão. Foi apresentador das ‘Noites de Cinema’, na RTP Memória e comentador no Bom Dia Portugal, da RTP1.  Realizou os documentários: ‘Gerações Curtas!?’ (2012);  ‘Ó Pai O Que É a Crise?’ (2012); ‘as memórias não se apagam’  (2014) e 'Mar Urbano Lisboa (2019). Foi programador do ciclo ‘Pontes para Istambul’ (2010),‘Turkey: The Missing Star Lisbon’ (2012), Mostras de Cinema da América Latina (2010 e 2011), 'Vamos fazer Rir a Europa', (2014), Mostra de Cinema Dominicano, (2014) e Cine Atlântico, Terceira, Açores desde 2016, até actualidade. Foi Director de Programação do Cine’Eco—Festival de Cinema Ambiental da Serra da Estrela de 2012 a 2019. É membro da FIPRESCI.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *