Cinema Europeu? Sim, por favor | Cinema Paraíso

 

Porque no planeta Terra (ainda) não existem super-heróis de cuecas, máquinas do tempo ou porcos voadores, decidimos desenterrar um pouco da melhor realidade que se faz por estes lados do Ocidente Europeu.

O cinema de excelência está em toda a parte, mas os mestres dos seus principais movimentos estão bem perto. Lembremo-nos do Neorrealismo Italiano, do Expressionismo Alemão, da Nouvelle Vague Francesa, do Dogma 95. Apesar de ser universal, é uma arte que nos cabe bem. O objetivo desta nova rubrica é homenagear os nossos cineastas, os cineastas vizinhos e toda a sua arte que se propaga independentemente da consolidação do mainstreem.

Cinema Paraíso

“Cinema Paraíso” move-se como o professor que nunca tivemos e a lição à qual faltámos. É um lembrete entusiasta que nos remete para a paixão e para o tempo. É uma ode ao cinema, não só como arte, mas também como vida. Vencedora do Óscar de Melhor Filme Estrangeiro e galardoado com o prémio Grand Prix em Cannes, a película do italiano Giuseppe Tornatore é um aglomerado de sensações em combustão obrigatório na watchlist de cada cinéfilo.

Cinema Paraíso

Tendo como base a narrativa clássica da Viagem do Herói, “Cinema Paraíso” é um filme de aprendizagem constante. Retratando três fases distintas da vida do inquieto e curioso Totò (infância, adolescência e idade adulta), a maior parte da ação é constituída pelas suas memórias com Alfredo, mentor incansável e projecionista do cinema da pequena aldeia siciliana.

Através da relação mestre-aprendiz, descobrimos o significado de paixão, a importância de perseguir os sonhos e a efemeridade do tempo – bem como o seu fatalismo. O filme de Tornatore explora a linha temporal da vida e os instantes decisivos, os abandonos e os regressos.

Após um desgosto amoroso, Totò recebe o conselho de partir para nunca mais voltar, de conquistar o que deseja e fazer mais de si, ausentando-se da amargura da paixão estilhaçada. Já em adulto, aquele que uma vez foi a criança mais assídua do Cinema Paradiso, retorna a casa, como cineasta bem-sucedido, mas como homem amargurado.

Cinema Paraíso

Escrito e realizado por Giuseppe Tornatore, protagonizado por Salvatore Casci, Marco Leonardi, Jacques Perrin e Philippe Noiret, e com música de Ennio Morricone, “Cinema Paraíso” estreou em 1988 e rapidamente se assumiu como um filme nostálgico sobre a própria arte cinematográfica. Aquele que inicialmente não recebeu o devido reconhecimento nacional por se desenquadrar do cinema italiano produzido na época, acabou por triunfar devido à sua distribuição internacional. E nós agradecemos.

 

Maria João Bilro

Sou doida por cinema - tenho um grave problema em aceitar que a minha vida não é um indie, mas tento fechar os olhos a esse pormenor e continuo a usar óculos escuros à noite e a dançar músicas dos anos 60 de forma (muito) estranha no meio da rua. Licenciada em Ciências da Comunicação, com formação em Realização e Fotografia.

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