Óscares 2017 | Lin-Manuel Miranda

Já conquistou o mundo com Hamilton e apaixonou os fãs de animação com as canções de Vaiana, mas será que Lin-Manuel Miranda consegue conquistar o Óscar?

 


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Para a maioria do mundo, 2016 foi um incontornável annus horribilis, mas, pelo menos a nível profissional e artístico, para Lin-Manuel Miranda foi um período de 12 meses cheio de crescente aclamação crítica e popular. Aliás, depois de ter dominado com absoluta impiedade os Tonys (a honra máxima das grandes produções teatrais da Broadway), ter triunfado novamente nos Grammys e até ganho o Pulitzer, existem poucos prémios que este compositor, dramaturgo, escritor, rapper e ator ainda não tenha arrecadado. O Emmy já tinha ganho há alguns anos, por exemplo, sendo que só lhe falta mesmo o Óscar para ter a combinação áurea conhecida como o EGOT (os prémios máximos do mundo do entretenimento americano).

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Mas, afinal, como é que este filho de humildes imigrantes porto-riquenhos se tornou numa das celebridades e artistas mais influentes dos EUA? Bem, em termos de exposição popular, tudo começou com o seu primeiro grande projeto teatral In the Heights. Trata-se de um musical semiautobiográfico que retrata três dias na vida de vários habitantes do bairro nova-iorquino de Washington Heights, uma zona célebre pela sua alta população de imigrantes e o local onde o próprio Miranda cresceu. A primeira versão do espetáculo foi escrita em 1999, durante o último ano de faculdade do artista mas foi preciso quase uma década de reposições, desenvolvimentos musicais e workshops para o projeto chegar aos luminosos palcos da Broadway.

Nos anos entre a génese de In the Heights e o seu sucesso na Broadway, Miranda também escreveu jingles, incluindo para a campanha eleitorais de políticos democratas nova-iorquinos, fundou uma trupe de hip-hop juntamente com outros amigos e colegas, envolveu-se numa série de projetos com outros compositores e escritores de teatro musical, incluindo a tradução para espanhol de várias passagens de West Side Story, e foi atuando, tanto em teatro como na televisão. Este fervor profissional apenas iria intensificar-se depois dos Tonys onde Miranda surpreendeu o mundo do teatro ao arrecadar o Tony para melhor banda-sonora original de um musical pela sua mistura eclética de hip-hop, salsa e melodias classicistas. Mais tarde, Miranda viria mesmo a ganhar um Emmy por escrever o número de abertura dos Tonys.

Depois desse sucesso, In the Heights acabou por ir em digressão pelos EUA, mas Miranda continuou a trabalhar a uma velocidade estonteante, envolvendo-se com uma quantidade monumental de diferentes projetos que vão desde a escrita de música original para a Rua Sésamo até à criação conjunta de um musical baseado na comédia cinematográfica Bring It On. Ao contrário de In the Heights, esse projeto não foi alvo de aclamação crítica e popular generalizada mas não demorou muito para que Lin-Manuel Miranda voltasse a cair nas boas graças dos críticos e das audiências.

Estamos a aludir, como é evidente, ao sucesso sem precedentes de Hamilton, um musical que Miranda concebeu com base na vida do primeiro Secretário do Tesouro dos EUA, Alexandre Hamilton. Com um elenco etnicamente diverso, um estilo musical ainda mais heterogéneo que inclui momentos de rap, hip-hop, opereta, musical oitocentista e até musica pop britânica e temáticas fortemente relevantes no clima político atual, este é um musical para o mundo moderno apesar do seu pé no passado histórico da nação americana. Ninguém parece indiferente ao espetáculo, para bem dizer, e Hamilton já bateu recordes de bilheteira e de prémios, tendo alcançado o maior número de nomeações e vitórias nos Tonys de qualquer musical na história da Broadway. Ao todo foram 16 indicações e 11 prémios ganhos.

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Ainda antes de Hamilton, que lhe valeu também o Pulitzer, chegar à Broadway, já Lin-Manuel Miranda tinha sido abordado pela Disney com uma proposta irresistível para este viciado em trabalho. Essa colaboração resultou nas canções de Vaiana e sua subsequente nomeação para o Óscar de Melhor Canção (How Far I’ll Go), mas não se ficou por aí. Miranda está também envolvido no remake de A Pequena Sereia que tem estreia planeada para este ano, o que deve ser um sonho tornado realidade para Miranda que adora tanto o filme original que chamou o seu filho de Sebastian em honra do caranguejo reggae que canta “Under the Sea”. Ainda dentro do mundo encantado da Disney, ele vai interpretar um dos papéis principais na sequela a Mary Poppins que está a ser planeada para 2018 ao lado de Emily Blunt no papel da ama mais misteriosa e mágica do mundo. Quem sabe se, quando esses projetos estrearem, Lin-Manuel já não será um compositor Oscarizado?

 


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Depois desta aventura pelo mundo do teatro e cinema musical, a próxima página vai levar-nos a explorar a arte da montagem de cinema e, mais especificamente, da primeira mulher afro-americana a ser indicada para o Óscar de Melhor Montagem. Não percas!

Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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