Anna Karina em "Pedro, o Louco "(1965) |©Société Nouvelle de Cinématographie (SNC)

Morreu Anna Karina, ícone da Nouvelle Vague

Anna Karina, ícone máximo da Nouvelle Vague francesa, e musa de Godard, faleceu ontem à tarde, dia 14 de dezembro. A atriz morreu aos 79 anos.

A notícia foi avançada pela sua página oficial, e confirmada pelo seu agente, esta manhã, revelando que a atriz se encontrava em Paris na companhia do seu marido, quando sucumbiu à sua luta contra o cancro. Deixa como legado uma longa carreira.

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Atriz, modelo, realizadora, cantora, musa fetiche de Jean-Luc Godard, com quem chegou a ser casada, Anna Karina foi uma das mais marcantes figuras da Nouvelle Vague Francesa. Com Godard, protagonizou imensos títulos nos anos 60, nomeadamente: “Uma Mulher é Uma Mulher” (1961), “Viver a Sua Vida” ou “Pedro, O Louco” (1965), entre outras obras de referência.

O casamento com Godard durou apenas entre 1961 e 1967, e neste curto período fizeram juntos inúmeros filmes que ficaram para a história do cinema. Depois da separação, a atriz começou a trabalhar com outros autores de referência um pouco por toda a parte: com Visconti, com Fassbinder, com George Cukor. Investiu também na sua carreira musical.

C'est avec une peine immense que je dois vous annoncer le décès d'Anna Karina, survenu à Paris ce samedi 14 décembre à…

Gepostet von Anna Karina Officiel am Samstag, 14. Dezember 2019

Pode ler-se nesta publicação, feita hoje na página de Facebook oficial de Anna Karina: “É com imensa tristeza que me cabe anunciar a morte de Anna Karina, que aconteceu em Paris, a 14 de dezembro, às 14h38, na sequência de um cancro. Anna faleceu na companhia do seu marido,  Dennis Berry, depois de ler lutado corajosamente contra a doença. Perdemos uma mulher maravilhosa, uma artista livre, um ícone do cinema e da música a nível mundial. Partilhamos a nossa dor convosco, que tanto a amaram e lhe foram fieis até ao fim.” Palavras de Laurent Balandras, agente de Anna.

A cultura francesa encontra-se de luto. Também o ministro da Cultura de França, Franck Riester, reagiu à notícia no Twitter, afirmando que: “O seu olhar era o olhar da Nouvelle Vague, o que nunca se alterará. Ao lado sobretudo de Godard, mas também de Rivette ou Visconti, Anna Karina era radiada, atraindo todo o mundo. Hoje, o cinema francês está órfão. Perdeu uma das suas lendas”. 

Anna Karina não nasceu em França, mas sim em Copenhaga, na Dinamarca. Aos 18 anos, mudou-se para Paris onde conheceu Coco Channel, tendo-se tornado modelo antes de ser a lenda da representação que conhecemos hoje. Tantos anos depois do seu “auge” cinematográfico nos anos 60, Anna Karina permanece um ícone inegável. Na 71ª edição do Festival de Cinema de Cannes, ocorrida em 2018, foi a estrela de todos os cartazes, com uma foto tirada durante as filmagens de “Pedro, O Louco” (1965).

Este ano, foi homenageada no festival lisboeta Indie Lisboa, e esteve confirmada para uma conversa na Cinemateca, a qual acabou por ser cancelada à última da hora por razões de saúde. Fica uma longa carreira, com mais de 80 créditos de representação, e até dois na cadeira de realização, “Vivre Ensemble” em 1973 e “Victoria”, em 2008.

Um até sempre a Anna Karina! Desse lado, qual consideram a melhor interpretação da notável carreira da atriz?

Maggie Silva

Mestre em Ciências da Comunicação na vertente de Cinema e Televisão pela FCSH-UNL. Dependente de cultura pop e cinema indie. Campeã suprema do binge watch, sempre disposta a partilhar dois dedos de conversa sobre o último fenómeno a atacar o pequeno ou grande ecrã.

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