TOP 10 Filmes Woody Allen | 1. Annie Hall

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No limite entre a realidade e a ficção e a crónica autobiográfica Woody Allen, criou em Annie Hall, mais um filme lendário, personagens inesquecíveis e com as quais nos identificamos.

Das várias colaborações entre Woody Allen e Diane Keaton, iniciadas em 1972 com O Grande Conquistador, a mais íntima e a melhor é sem dúvida este ‘Annie Hall’, uma obra marcada pela fecunda relação afectiva e artística, que mantinham então. Dir-se-ia que em Annie Hall o limite entre a ficção e a realidade é muito difuso e a pois a personagem que dá nome ao filme, foi escrita por Allen à medida exacta de Keaton, a sua companheira sentimental: não é por acaso que ambos se conheceram numa partida de ténis, jogo que Allen é um aficionado praticante; o apelido original de Keaton é Hall e os mais chegados tratam-na mesmo carinhosamente por Annie.

Antes de ser actriz Diane Keaton trabalhou em clubes noturnos como cantora, tal como no filme. Num jogo de humor, o personagem interpretado por Allen chama-se Alvy Singer, utilizando um dos engenhosos anagramas característicos do escritor Vladimir Nabokov, o pós-moderno inspirador por de Annie Hall.

Annie Hall

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Os pontos fortes do filme Annie Hall, residem na sua complexidade narrativa e experimentação formal, onde autor explícito e narrador implícito associam-se e dissociam-se como num jogo de espelhos. No meio de uma sucessão de analepses e regressões, não faltam as interpelações ao espectador — o narrador olha a câmara para nos tornar participantes das suas confidências mais íntimas —, o ‘split screen’ como contraste de situações cómicas, a intromissão dos personagens como convidados de episódios passados das suas vidas, os desenhos animados ou mesmo as legendas como representação da voz interior deles. No entanto, os indubitáveis méritos de Woody Allen foi criar um Alvy Singer e uma Annie Hall, autênticas personagens universais: por um lado um alter-ego (ou caricatura) do autor, que embora o tenha negado insistentemente, é um personagem com que todos nos sentimos identificados, com as suas fragilidades e questionamentos.

Annie Hall por seu lado teve tanto êxito na altura que se tornou num fenómeno de massas e moda. Diane Keaton fez da personagem a sua própria indumentária corrente: casaco, colete, camisa e gravata, calças largas e chapéu de abas largas fizeram muitas montras das lojas mais chiques da 5ª Avenida e da baixa lisboeta. O oscarizado argumento de Annie Hall foi escrito por Woody Allen e Marshall Brickman, prolongando uma década de maravilhosa colaboração, onde se inclui Manhattan. É curioso ainda observar como em Annie Hall desfilam uma série de actores improváveis que se tornariam mais tarde muito conhecidos do grande público: Christopher Walken, Shelley Duvall, Jeff Goldblum e o até o músico Paul Simon.

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José Vieira Mendes

Jornalista, crítico de cinema e programador. Licenciado em Comunicação Social, e pós-graduado em Produção de Televisão, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. É actualmente Editor da Magazine.HD (www.magazine-hd.com). Foi Director da ‘Premiere’ (1999 a 2010). Colaborou no blog ‘Imagens de Fundo’, do Final Cut/Visão JL , no Jornal de Letras e na Visão. Foi apresentador das ‘Noites de Cinema’, na RTP Memória e comentador no Bom Dia Portugal, da RTP1.  Realizou os documentários: ‘Gerações Curtas!?’ (2012);  ‘Ó Pai O Que É a Crise?’ (2012); ‘as memórias não se apagam’  (2014) e 'Mar Urbano Lisboa (2019). Foi programador do ciclo ‘Pontes para Istambul’ (2010),‘Turkey: The Missing Star Lisbon’ (2012), Mostras de Cinema da América Latina (2010 e 2011), 'Vamos fazer Rir a Europa', (2014), Mostra de Cinema Dominicano, (2014) e Cine Atlântico, Terceira, Açores desde 2016, até actualidade. Foi Director de Programação do Cine’Eco—Festival de Cinema Ambiental da Serra da Estrela de 2012 a 2019. É membro da FIPRESCI.

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