Três Cores: Vermelho, Mini Crítica

 

<<Três Cores: Branco, Mini-Crítica

O derradeiro filme de Krzysztof Kieslowski é uma magistral síntese das principais ideias que o autor desenvolveu ao longo da sua filmografia. Em Três Cores: Vermelho a dimensão metafísica das relações humanas e sua interligação absoluta é colocada em relevo, naquele que é denominado como o anti romance da Trilogia das Três Cores.

 

Três Cores: Vermelho Título Original: Trois couleurs: Rouge
Realizador: Krzysztof Kieslowski
Elenco: Irène Jacob, Jean-Louis Trintignant, Frédérique Feder
Género: Drama, Romance
Leopardo Filmes | 1994 | 99 min [starreviewmulti id=18 tpl=20 style=’oxygen_gif’ average_stars=’oxygen_gif’]

 

Após a finalização de Três Cores: Vermelho, Krzysztof Kieslowski, anunciou que o último capítulo da sua trilogia sobre os ideais da Revolução Francesa seria o seu último filme. Não se sabe se esta seria uma resolução imutável do autor, mas a sua morte, dois anos depois da estreia de Vermelho, fez com que tal permanecesse uma eterna incógnita. Independentemente de tudo isso, Três Cores: Vermelho é uma formidável conclusão para uma das mais marcantes carreiras na história do cinema europeu, oferecendo algo que parece ser o culminar dos principais conceitos e preocupações que caracterizaram a totalidade da obra de Kieslowski.

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A narrativa de Vermelho desenvolve-se em volta de Valentine (Irène Jacob), uma supermodelo suíça, e a sua relação com um misterioso juiz (Jean-Louis Trintignant). Estas duas figuras desenvolvem uma improvável ligação, sendo que os seus destinos acabam por se interligar com uma outra narrativa humana, onde a traição e a paixão dominam. O conceito que há algo que une todos os seres humanos é aqui colocada como ideia central de toda a construção do filme, sendo que este é o filme que mais afasta o seu ideal revolucionário de conotações políticas. Em Três Cores: Vermelho a ideia de fraternidade não é explorado de um ponto de vista político, mas sim de uma perspetiva fortemente humanista.

Três Cores: Vermelho

As várias figuras do filme são introduzidas num estado de isolamento existencial, sendo o juiz a mais notoriamente simbólica das personagens no seu distanciamento do resto da humanidade. Caracterizado pelo ato de julgar os outros, o juiz caiu numa existência de acídico niilismo, sendo a sua ligação a Valentine o que despoleta o desabrochar da humanidade na sua vida. Kieslowski injeta neste mundo de seres humanos desconectados uns dos outros, a ideia humanista de fraternidade e explora, a partir de um enredo imensamente anti naturalista, o modo como todos, incluindo a audiência, fazem parte de uma sociedade, de uma coletividade de seres humanos interligados por conexões impercetíveis mas poderosas. No final, Vermelho é um melodioso grito de apelo à empatia, à abertura emocional, à humanidade e compaixão que todos têm a capacidade para oferecer.

Tal como os restantes filmes da trilogia, Três Cores: Vermelho é, para além de todos os seus outros sucessos, uma absoluto triunfo técnico. A montagem, mais que nos restantes filmes da trilogia, é de fulcral importância tecendo uma vasta trama de coincidências e vidas paralelas com a elegância das mais sofisticadas melodias de Zbigniew Preisner. A fotografia, nomeada aos Óscares é de igual magnificência, pintando o mundo em calorosos tons vermelhos, sem deixar as imagens cair na agressividade perigosa que é facilmente encontrada na cor titular.

Três Cores: Vermelho

 

O PIORVermelho existe num plano imensamente metafórico, sendo que uma audiência à espera de uma experiência fácil de apreciar, ou concebida com algum naturalismo, ficará completamente perdida, a não ser que tenha a generosidade e abertura para aceitar as singularidades desta final obra-prima de Kieslowski.

O MELHOR – O final do filme, cuja mera tentativa de descrição o roubaria do seu monumental poder. Como encerramento de toda a obra de Krzysztof Kieslowski, esses derradeiros momentos representam alguns dos mais importantes minutos em toda a história do cinema europeu.

 

CA

 

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Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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