Ennio Morricone (1928-2020), foi um dos maiores compositores da História do Cinema |©Christian Muth/enniomorricone.org (2015)

Ennio Morricone, “Il Maestro” do Cinema, morre aos 91 anos

Ennio Morricone, mítico compositor do cinema, faleceu hoje, 6 de julho, aos 91 anos, na sua cidade natal de Roma. Deixa uma obra que compreende mais de 500 bandas-sonoras e um legado gigante na 7ª arte. Dizemos agora adeus ao eterno “Il Maestro”. 

O compositor italiano vencedor de dois Óscares foi responsável pela criação das bandas-sonoras de inúmeros filmes de referência, como  “Cinema Paraíso” de Giuseppe Tornatore , “Os Intocáveis” de Brian de Palma,  “Os Oito Odiados” de Quentino Tarantino  – banda sonora pela qual foi oscarizado –  entre tantos outros. A carreira de Ennio Morricone atravessa múltiplas décadas da História do Cinema, tendo o compositor começado a trabalhar fortemente na indústria a partir de 1960. Célebre foi  também a sua colaboração  com Sergio Leone, que merece  especial destaque para títulos como  “O Bom, o Mau e o Vilão” ou “Era uma Vez na América”.

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Esta figura central à composição cinematográfica faleceu na madrugada desta segunda-feira, vítima de complicações após uma queda que resultou na fractura do seu fémur. Isto de acordo com os relatos do jornal italiano La Repubblica. O compositor manteve-se ativo até ao fim, com uma vida profissional que nunca viu quebra na intensa atividade.  O “Maestro” dedicava-se ainda à composição, embora tivesse recentemente anunciado a sua retirada dos palcos. Em 2019 esteve em Portugal para uma atuação inserida na sua digressão mundial de despedida. Deu concerto numa Altice Arena quase esgotada e rendida à sua lenda viva.

Ennio Morricone tinha uma paixão especial pelo trompete, não tivesse sido esse o seu instrumento de especialização nos estudos no Conservatório de Roma. Não obstante, recusava a convencionalidade nas suas composições e utilizada nas suas músicas instrumentos distintos como a harpa do judeu, harmónica, corne inglês e tinha por hábito acompanhar as músicas de sons reais como por exemplo de assobios, chichotes ou tiros.

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Era um autor verdadeiramente prolífico, tendo trabalhado em quase todos os géneros de cinema inclusive terror, comédia, drama ou faroeste. As suas músicas são parte integrante da cultura popular, por vezes suplantando a consciência colectiva do próprio filme em que se inserem.

Ennio Morricone não gostava de ser categorizado ou reduzido ao mínimo denominador comum. Considerava que os westerns tinham sido apenas uma pequena parte da sua carreira, e inclusive quando aceitou o convite de Tarantino para “Os Oito Odiados” reforçou que era imperativo quebrar com o estilo de faroeste de há 50 anos atrás.

Trabalhou com imensos realizadores de referência como Hitchcock, Fellini, Bertolucci, Pasolini, Terrence Malick e muitos outros. Para espanto de muitos foi apenas em 2016 que venceu o seu primeiro Óscar de Melhor Banda Sonora por “Os Oito Odiados” (2015) de Quentin Tarantino. Antes disso, em 2007, tinha já recebido um Óscar honorário pelas suas contribuições para a arte cinematográfica. Venceu também três Grammy, quatro Globos de Ouro, Seis BAFTA, um Leão de Ouro e muitas outras distinções. Em 2020 tinha já sido premiado com o Prémio Princesa das Astúrias das Artes, lado a lado com o célebre compositor John Williams”, por ter “enriquecido centenas de filmes com o seu talento”.

Qual é, para vocês, a banda sonora de referência da carreira de Ennio Morricone? 

Maggie Silva

Comunicadora de profissão e por natureza. Dependente de cultura pop, cinema indie e vítima da incessante necessidade de descobrir novas paixões. Campeã suprema do binge watch, sempre disposta a partilhar dois dedos de conversa sobre o último fenómeno a atacar o pequeno ou grande ecrã.

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