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IndieLisboa ’20 | Dreamland, em análise

Percorremos a secção “Boca do Inferno” da 17ª edição do IndieLisboa e por lá encontramos “Dreamland”, da autoria do realizador canadiano Bruce McDonald. “Dreamland” é um pesadelo sensorial neon dos infernos, onde tempo e espaço deixam de importar.

Exibido no Capitólio no dia 26 de agosto, regressa ao IndieLisboa no dia 31, pelas 19h00 e no Cinema São Jorge. A não perder! 

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“Dreamland” assinala um regresso de Bruce McDonald ao IndieLisboa, onde apresentou já os seus filmes “Ponypool” (2008) ou “This Movie is Broken” (2010). Uma condessa maléfica, tráfico de menores, maestros de renome, armas e vampiros modernos são apenas alguns dos ingredientes deste improvável conto sangrento que poderá ser, eventualmente, sobre moralidade.

Seguimos Stephen McHattie ao longo de uma jornada imperdível. Ele é um protagonista em dose dupla e em verdadeiro estado de graça, construindo duas personagens tão coesas quanto absurdas e caricaturais. Ele é um fora-da-lei, um assassino por contrato, aquele que faz os trabalhos sujos de um malfeitor que ironicamente se chama “Hércules”. Por outro lado, McHattie dá também vida ao “Maestro”, ou Trompetista, uma figura marcada pelo hedonismo e com muito pouco a perder.

Esta longa-metragem encaixa na perfeição na estranheza e alienação da secção “Boca do Inferno”. Com “Dreamland” deixamos de saber qual o ano, o mês, o sítio, o ambiente em que nos situamos. Estamos verdadeiramente perdidos, mergulhados numa névoa de podridão e incerteza. Desconhecemos o passado e o futuro dos nossos intervenientes centrais, mas este é dispensável. Aqui, somos levados pelos sentidos e pelas mais elementares e primitivas das emoções.

“Dreamland” corresponde ao seu nome em todos os sentidos, mergulhando-nos numa hipnótica ilusão onírica.  O mais notável em “Dreamland” é observar como um filme altamente bizarro se consegue basear numa premissa simples e narrável em poucos minutos. Um homem violento e atormentado descobre um esquema de venda de meninas menores para prostituição e casamentos ilegais. Decide ajudar e vê-se envolvido numa perigosa teia. Poderia ser, e é, o plot (enredo) para “Nunca Estiveste Aqui”, filme realizado por Lynne Ramsay. É certamente o enredo de muitos outros filmes. Contudo, aqui a premissa transforma-se em muito mais.

Stephen McHattie (“O Último Capítulo”, “Watchmen”) parece concentrar em si todo o bem e o mal deste risível mas aterrador universo paralelo.  E por mais que este pesadelo se revele delicioso, com uma sequência final à altura e muitas surpresas no ato final, há que admitir algumas falhas narrativas evidentes. Os diversos elementos que compõem a história dispensam uma relação clara entre si e é frequente as personagens carecerem de robustez. De onde vieram, quem são, porque agem como agem. O constante “aqui e agora” é tanto uma benção como uma maldição, num filme que se faz tanto de contradições como de delírios conscientes. Assim é “Dreamland”!

Dreamland, em análise
Dreamland IndieLisboa

Movie title: Dreamland

Date published: 2020-08-27

Director(s): Bruce McDonald

Actor(s): Stephen McHattie, Henry Rollins, , Lisa Houle,, Tómas Lemarquis

Genre: Comédia , Crime, Fantasia

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  • Maggie Silva - 78
78

Um resumo

“Dreamland” é um absurdo sonhos fantasmagórico que dispensa razão ou coerência. Promete ficar gravado na mente de quem se cruza com este invulgar conteúdo!

O MELHOR: As cores arrojadas, planos improváveis e escolhas arrojadas que nos transportam até uma localização verdadeiramente mística.

O PIOR: A falta de coerência e aprofundamento de personagens poderá beneficiar o género, mas certos “buracos” são demasiado evidentes e acabam por enfraquecer esta invulgar história;

MS

Maggie Silva

Comunicadora de profissão e por natureza. Dependente de cultura pop, cinema indie e vítima da incessante necessidade de descobrir novas paixões. Campeã suprema do binge watch, sempre disposta a partilhar dois dedos de conversa sobre o último fenómeno a atacar o pequeno ou grande ecrã.

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