Katie Dey (foto de Cal Elizabeth Birchall)

Katie Dey está de regresso com mydata

O terceiro registo de Katie Dey, mydata, chega no próximo mês. Por enquanto, a artista convida-nos para uma “dança metafísica” com o single principal, “dancing”.

solipsisters, o segundo álbum de Katie Dey, chegou-nos há pouco mais de um ano e foi, sem dúvida, um dos grandes registos que marcou 2019, tendo alcançado o top 10 aqui na MHD. Desde essa altura que a artista australiana tem estado bastante ocupada, juntou-se a Georgia Maq, dos Camp Cope, no seu álbum de estreia a solo, surgiu em lançamentos de Ada Rook e partilhou ainda alguns covers.

Não há dúvida que foi um tempo bem aproveitado, ainda mais sabendo agora que a cantautora se está a preparar para lançar um novo álbum no próximo mês. O terceiro LP de Katie Dey chama-se mydata e chega dia 24 de julho via Run for Cover.

O título é uma referência a todas as coisas efémeras digitais que se acumulam ao longo de uma relação construída virtualmente, que, segundo a cantautora, podem não ter manifestações físicas, mas que de alguma forma deixam uma marca indelével.

“É assim que sempre vivi. É assim que muitas pessoas marginalizadas sempre viveram. Grande parte da minha vida é apenas na internet. Tantos momentos íntimos e privados. Pode-se descarregar um enorme registo das conversas que se tem com alguém que chega a ocupar 20 MB. Mas não é aí que está o relacionamento. Não é aí que está contido. “

Juntamente com o anúncio de mydata, Dey partilhou o single principal, “dancing”. A faixa soa um pouco menos etérea e distante do que aquilo a que a artista de Melbourne nos possa ter habituado, a sua voz destaca-se perante as cordas e sintetizadores, sobrepondo-se à usual degradação digital. Oscilando entre uma convicta consciência pessoal, “i am myself a shelter/my own personal hell girl” e a noção de que precisa de um “choreographer” que a guie, Dey expressa aquele desejo incomensurável de percorrer um caminho de constante revelação, “constantly unraveling/there must be a place i can go/cuz i want to be going/infinitely going/go forever inwards outwards anywhere”.

Lê Também:
"Pigeons" retrata o mundo de Bill Callahan ao volante

“dancing” vem acompanhada por um videoclipe dirigido por Devi McCallion através do videojogo Second Life, o que exacerba o papel da internet na construção do álbum e na própria vida de Dey, que explicou o processo de construção do vídeo.

“Este vídeo foi feito inteiramente no Second Life, e espero que, quando as pessoas o virem, pensem em quanto trabalho é necessário para o fazer. Se já jogaram este jogo, sabem como é difícil controlar a câmara, ainda mais criar um mundo inteiro com personagens tão incríveis e esta cinematografia espetacular. Criado remotamente, em vários países, durante uma pandemia, num portátil velho, com as nossas vidas num caos absoluto, o mundo num caos … espero que as pessoas se comovam com estas personagens e depois com os incríveis seres humanos que tiveram tanto trabalho a criá-las. Enfim, a canção é sobre dançar. Eu diria uma dança metafísica.”

KATIE DEY| “DANCING”

ALINHAMENTO | MYDATA

01 “darkness”
02 “dancing”
03 “happiness”
04 “leaving”
05 “hurting”
06 “word”
07 “hopeless”
08 “loving”
09 “closeness”
10 “hoping”
11 “bearing”
12 “data”

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *