M83 (foto de Jeremy Searle)

M83 anuncia novo álbum DSVII

A continuação de Digital Shades Vol. 1, o álbum de música ambiente dos M83 lançado em 2007, chegará a 20 de Setembro, pela Mute.

Anthony Gonzalez explica, na página inicial do site oficial dos M83, como todo o projecto surgiu do desejo de criar música que pudesse ser parte das aventuras e do imaginário de Masmorras & Dragões. O que era suposto ter sido apenas uma colectânea de lados B e canções guardadas na gaveta – intitulada Digital Shades para a dissociar de um álbum de estúdio propriamente dito, embora integrando a discografia dos M83 como membro de pleno direito – converteu-se na possibilidade de dar uma segunda vida a certos temas, impedindo-os de desaparecerem no vazio.

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Digital Shades foi pensado para ser um projecto íntimo, de gravação no quarto – apenas Gonzalez e as suas máquinas. O vocalista, multi-instrumentista e produtor por detrás dos M83 queria criar um álbum que fosse composto por música ambiente simples, maioritariamente instrumental, realizável por ele mesmo, sem a ajuda de músicos ou de um produtor. E, na linha da tradição da música ambiente, a ideia de uma colecção esteve sempre presente:

Adoro a ideia de colecção. Fascinaram-me sempre as obras ambientais de Brian Eno. Estes discos tinham todos muitas coisas em comum, começando com títulos e artes de capa semelhantes que nos faziam pensar que estavam todos relacionados entre si, ao mesmo tempo que ofereciam, de cada vez, experiências distintas. Queria criar uma produção de música ambiente assim, que pudesse evoluir ao longo dos anos.

Sentindo que a direcção tomada em Junk (2016), apesar de uma digressão mundial bem sucedida, não fora completamente compreendida pelos fãs e tendo a seguir criado música para o espectáculo Volta, do Cirque du Soleil, projecto do qual não detinha o controle artístico, Anthony Gonzalez experimentou a sensação de falhanço, o vazio e a exaustão física e mental: “Regressei a casa, no sul de França, para descansar e reflectir no que se seguiria, tendo uma única ideia em mente – desta vez, queria criar para mim próprio”.

Segundo o seu autor, Digital Shades Vol. 2 é mais avançado do que o primeiro, menos ambicioso volume, composto quando este tinha apenas 26 anos e objectivos, gosto musical e conhecimento distintos: “Com Digital Shades Vol. 2, queria regressar com algo mais forte, que tivesse a profundidade de um álbum de estúdio propriamente dito, sem a pressão de oferecer música pop – bem longe de Hurry Up, We’re Dreaming e Junk.”

A inspiração para o novo registo veio de cinco meses passados em Cap d’Antibes, no verão de 2017, a nadar no Mediterrâneo, ler, ver filmes mas, acima de tudo, jogar videojogos da década de 80, cuja simplicidade e imperfeição Anthony Gonzalez procurou emular em Digital Shades Vol. 2. Do seu desejo de se rodear da natureza e do passado, perdido o interesse nas coisas contemporâneas, resultou a uso exclusivo de instrumentação analógica. Tudo foi gravado com equipamento vintage, primeiro no estúdio de Gonzalez e depois, durante a fase final de produção, do outono de 2017 à primavera de 2018, no estúdio de Justin Meldal-Johnsen, em Glendale, California.

M83, DSVII | Alinhamento do álbum

  1. 01 Hell Riders
  2. A Bit of Sweetness
  3. Goodbye Captain Lee
  4. Colonies
  5. Meet the Friends
  6. Feelings
  7. A Word of Wisdom
  8. Lune De Fiel
  9. Jeux D’Enfants
  10. A Taste of the Dusk
  11. Lunar Son
  12. Oh Yes You’re There, Everyday
  13. Mirage
  14. Taifun Glory
  15. Temple of Sorrow

Maria Pacheco de Amorim

Literatura, cinema, música e teoria da arte. Todas estas coisas me interessam, algumas delas ensino. Sou bastante omnívora nos meus gostos, mas não tanto que alguma vez vejam "Justin Bieber" escrito num texto meu (para além deste).

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