Mad Max 4 | A cenografia de Colin Gibson

Colin Gibson ganhou o Óscar em conjunto com Lisa Thompson pelo seu trabalho na criação dos espetaculares cenários de Mad Max: Estrada da Fúria, incluindo os seus demónicos veículos.

 

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Os ritmos acelerados, sonoridade estrondosa e interpretações surpreendentemente humanas são partes essenciais do sucesso de Mad Max: Estrada da Fúria, mas seria monumentalmente erróneo menosprezar a importância da construção visual do mundo pós-apocalíptico em que toda a narrativa decorre. Foi precisamente pela criação desse ensandecido mundo que o cenógrafo Colin Gibson e a decorador Lisa Thompson arrecadarm o Óscar para Melhor Design de Produção na edição deste ano dos Óscares.

Colin Gibson Lisa Thompson Mad Max

Tanto Gibson como Thompson são veteranos do cinema australiano, mas nenhum dos dois tinha alguma vez sido nomeado para um Óscar antes do sucesso glorioso de Mad Max. Thompson chegou mesmo a assistir na decoração dos cenários de Moulin Rouge!, outra obra de enlouquecida estilização da autoria de um dos mais respeitados realizadores australianos da contemporaneidade, Baz Luhrmann.

Ao contrário da maior parte dos vencedores desta categoria, o trabalho destes dois artistas não se focou maioritariamente em interiores elaborados. Aliás, o trabalho de espaços interiores do filme resume-se quase exclusivamente ao seu início dentro da cidade escavada na rocha de Immortan Joe, onde Gibson e  Thompson conceberam um bizarro mundo cheio de visões tão grotescas como uma sala para ordenha de leite humano.

Mad Max

No entanto, apesar dos seus gloriosos e inteligentes detalhes e criatividade de desenho, não são os interiores que mais se responsabilizam por este Óscar, mas sim a panóplia de monstruosos veículos que violentamente rasgam a paisagem desértica ao longo da maior parte do filme.

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Todos esses veículos eram funcionais e foram realmente construídos a partir de uma mistura de diferentes peças já existentes, como se o próprio Gibson estivesse a construir um exército motorizado real. Mesmo assim, não era só a eficácia mecânica destas obras a ser de importância para esta equipa de designers, sendo que cada máquina é uma precisa obra de caracterização, ora de diferentes personagens ora do mundo miserável de onde emergem.

Mad Max

De destacar ficam três desses monstros sobre rodas. O primeiro é a War Rig, uma espécie de complexo ecossistema mecânico onde a maior parte do drama do filme decorre. O veículo de Immortan Joe, construído a partir de dois luxuosos Cadillacs como prova de poder, é quae um trono sobre rodas. Finalmente temos a Doof Wagon, uma espécie de versão demónica dos tambores que acompanhavam campanhas militares em outros tempos de conflitos bélicos, onde um grupo de precursão é acompanhado por uma guitarra lança-chamas, numa imagem de majestosa loucura.

Mad Max

Mas o que seriam estes veículos sem o elenco que os conduz, todos eles maquilhados e tornados em imagens tão grotescas e espetaculares como o desfile de criatividade de Colin Gibson e Lisa Thompson? Vem descobrir mais sobre a caracterização Oscarizada deste filme, na próxima página!

 

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Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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