Mad Max 4 | A montagem de Margaret Sixel

Margaret Sixel arrecadou um merecido Óscar pela sua frenética e precisa montagem da violenta cacofonia visual que é Mad Max: Estrada da Fúria.

 

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No início do desenvolvimento do cinema como uma indústria, o trabalho de montagem era muitas vezes tido como uma profissão feminina. Aliás até havia um nome específico para estas editoras que montavam os filmes a partir das montanhas de material filmado, “cutters”. No entanto, quando, pelo meio da década de 20, o cinema se começou a revelar como uma potência económica de impor respeito, a presença masculina tornou-se muito mais forte e as “cutters” foram crescentemente substituídas por homens. Hoje em dia, começamos a ver esta tendência a desaparecer, mas durante muitas décadas, tornou-se raro ver o nome de uma mulher debaixo do crédito “Editor”.

Mad Max Margaret Sixel

No passado domingo foi uma mulher a ganhar o Óscar na categoria de Melhor Montagem, Margaret Sixel, que com esta façanha tornou-se a décima segunda mulher, em toda a história da Academia, a arrecadar este galardão.

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Sixel é casada com George Miller, o realizador de Mad Max, e foi necessária a insistência do seu marido para que a editora aceitasse montar a explosiva narrativa do mais recente filme sobre Max Rockatansky. Sixel nunca havia trabalhado num filme de ação, sendo que a sua filmografia é caracterizada por documentários e filmes de delicados ritmos como a sequela de Babe e Happy Feet, ambos da autoria de Miller.

Margaret Sixel George Miller Mad Max

No entanto, o realizador acabou por conseguir convencer a sua esposa, sendo que, segundo Miller, ele precisava do génio de Sixel com o seu super cérebro que ele diz conseguir resolver qualquer problema cinematográfico como um cubo de Rubix. Tendo em conta o resultado final, ainda bem que Miller contou com a colaboração de Sixel, que construiu neste filme uma impressionante explosão de adrenalina cinemática, organizando as épicas quantidades de filmagens num dos mais frenéticos e arrebatadores filmes de ação de sempre.

A genialidade de Sixel permite ao filme mover-se num ritmo imparável e violento que consegue manter um estranho equilíbrio tonal, mesmo quando são necessários alguns momentos de quietude em alguns momentos fulcrais. Poucos são os filmes de Hollywood que se atrevem a ser tão abertamente uma contínua sequência de ação, mas Mad Max, graças a Sixel, conseguiu ser isso mesmo, tornando-se uma das inegáveis joias cinematográficas do ano.

Margaret Sixel editou o filme, mas Mad Max não é apenas uma mostra de formidável jogos rítmicos e temporais, sendo que os seus visuais espetaculares, como os infernais veículos que rasgam a paisagem desértica, são também uma parte essencial do seu sucesso.

 

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Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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