"Sócrates" | © Queer Lisboa

Queer Lisboa ’19 | Vencedores e balanço final

A 23ª edição do Queer Lisboa abriu com um documentário brasileiro e encerrou-se com vários prémios entregues a produções desse mesmo país.

Indianara” foi o filme de abertura do Queer Lisboa 23 e deu início às celebrações com um valente golpe de indignação política e discórdia social. No Brasil, valores democratas são, a cada dia que passa, postos em maior risco e, com eles, também a população LGBT+ se encontra encurralada numa situação insustentável. Pessoas como Indianara Siqueira lutam contra tais fados e seu protesto faz-se ouvir em Lisboa por meio de cinema militante como o documentário com o nome da ativista trans.

Outros festivais lisboetas seguem o exemplo e também destacam cinema brasileiro nesta precária conjetura política. Já, há alguns meses, tínhamos visto o mesmo acontecer com o IndieLisboa e, em outubro, será o Doc Lisboa a apoiar os artistas brasileiros com programação designada para celebrar o seu trabalho e o seu discurso. Não é de admirar, portanto, que o cinema brasileiro tenha vindo a figurar nos palmarés do festival. “Sócrates”, de Alexandre Moratto, é uma comovente tragédia brasileira sobre um adolescente que perde a mãe e foi também o vencedor da Competição de Longas-Metragens.

una banda de chicas queer lisboa
“Una Banda de Chicas” | © Queer Lisboa

O júri, composto por Teresa Villaverde e Wieland Speck, atribuiu-lhe o prémio de 1500€ e justificou a seleção do vencedor com as seguintes palavras: “Sócrates é um filme muito forte tanto pelo seu conteúdo como pela sua forma. Fala-nos de um adolescente dos subúrbios de Santos, no Estado de São Paulo. Interpretado pelo ator Christian Malheiros que nos deixa magneticamente colados ao ecrã, interpretando um personagem que luta contra um mundo que quer fazê-lo desaparecer. Esperamos que este filme encontre distribuidor em Portugal para que mais pessoas o possam ver.”

Villaverde e Speck deram ainda uma menção especial a “Greta” de Armando Praça, outra produção brasileira com rasgos de tragédia, mas também algum melodrama de Hollywood e metacinema à mistura. Dos filmes a concurso nesta secção também saiu o vencedor do prémio do Público. ”Carmen y Lola” da espanhola Arantxa Echevarría foi a longa-metragem predileta das audiências, conquistando-as com a sua história de amor proibido no seio de uma cultura opressiva de ciganos madrilenos.

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Joana de Sousa, Margarida Mercês de Mello e So Mayer, o júri da Competição de Documentários, não premiaram nenhum filme brasileiro, preferindo reconhecer o mérito de um documentário argentino. “Una Banda de Chicas” de Marilina Giménez ganhou 3000€, atribuídos pela RTP2 que também comprou os direitos do filme. Segundo o Júri: “Damos este prémio a um filme que, partindo da amizade, constrói um retrato de uma comunidade refletindo sobre si própria, em trinta anos de lutas e conquistas. Uma visão complexa e íntima da força transformadora que é usar a própria voz e fazermo-nos ouvir.”

Tal como aconteceu com as longas-metragens narrativas, o júri da secção de Documentários também atribuiu uma Menção Especial. Neste caso, esta menção dos jurados coincidiu também com a escolha do público, sendo que o vencedor de ambas as honras foi “Ni d’Ève Ni d’Adam. Une Histoire Intersexe” de Floriane Devigne. Na Competição Queer Art, “Normal” de Adele Tulli saiu vencedor, enquanto, na secção In My Shorts, tivemos dois campeões empatados. Eles foram “Constanza” de Melisa Liebenthal e “Dante vs Mohammed Ali” de Marc Wagenaar.

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“Parsi” | © Queer Lisboa

Por fim, temos os prémios atribuídos às Curtas-metragens em competição. O júri formado por Alexander David, Catherine Boutaud e Mickaël Gaspar premiou a coprodução argentina e suíça “Parsi”, realizado por Eduardo Williams e Mariano Blatt. Neste caso, a Menção Especial foi atribuída a “Ant-Man” do vietnamita Viet Vu. Além disso, num seguimento desta tendência dos palmarés, o Prémio do Público foi para a curta brasileira “Estamos Todos Aqui” de Chico Santos e Rafael Mellim.

Aplaudimos todos estes filmes premiados, mas também aplaudimos as obras que não tiveram a honra de serem celebrados com troféus ou recompensas monetárias. Aplaudimos o experimentalismo cinematográfico e bizarro humor de “Letters to Paul Morrissey”, a estranheza ativista de “Ecosex” e os retratos complicados de “Irving Park” e de “Indianara”. Aplaudimos as visões do passado da Berlinale, a glória taiwanesa de “Os Rebeldes do Deus Neon” e o erotismo desavergonhado de “Daddy and the Muscle Academy”. Aplaudimos tudo isso e muito mais.

Aliás, convidamos-vos a lerem e relerem as várias críticas que fomos publicando ao longo da cobertura do festival. Aqui fica uma lista de links para explorar…

 

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COBERTURA MHD DO QUEER LISBOA 23:

Filme de Abertura

  • INDIANARA de Marcelo Barbosa e Aude Chevalier-Beaumel

Competição de Longas-Metragens

Competição de Documentários

Secção Panorama

Antestreia Nacional

Filme de Encerramento

 

Esperemos que tenhas apreciado a nossa cobertura do Queer Lisboa 23. Não percas as nossas próximas coberturas de festivais, tanto os que se fazem em Portugal como no estrangeiro.

Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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