Sandy Powell Oscares 2019

Óscares 2019 | Quem é Sandy Powell?

Com 14 nomeações e três Óscares já ganhos, Sandy Powell, a figurinista de “A Favorita” e “O Regresso de Mary Poppins”, é uma das mais prestigiadas cineastas do cinema contemporâneo.

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COMO TUDO COMEÇOU

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CARAVAGGIO marcou a estreia de Sandy Powell e Tilda Swinton no grande ecrã.

A meio da licenciatura em Design de Teatro, Powell arranjou emprego a trabalhar para uma companhia de dança liderado pelo coreógrafo Lindsay Kemp e nunca mais voltou aos estudos. Uma eterna fã de David Bowie, Powell tinha conhecido o trabalho de Kemp graças à sua colaboração com o cantor durante a fase Ziggy Stardust. A figurinista ficou nessa companhia durante seis anos, experimentando estilos e registos tão díspares como espetáculos de mimos, burlesco, dança contemporânea e teatro mais clássico. Foi durante esses anos a trabalhar em teatro que Powell entrou em contacto com Derek Jarman. Como era fã dos seus filmes, ela enviou uma carta ao cineasta e convidou-o a ir ver um dos seus espetáculos. Encantado com o que viu, Jarman decidiu que tinha encontrado sua nova figurinista e introduziu Powell ao trabalho em cinema com “Caravaggio”.

Antes de fazer essa biografia avant-garde, Powell passou um ano a colaborar em alguns vídeos musicais mais underground, habituando-se às exigências de trabalhar num plateau em contraste com o palco. Quando chegou a altura de começar a sua primeira longa-metragem, a figurinista ainda era uma relativa novata e hoje em dia olha para trás com alguma vergonha, reconhecendo erros básicos de técnica nos seus esforços iniciais. Mesmo assim, esse filme, que também foi a estreia de Tilda Swinton no cinema, é visualmente esplendoroso e a natureza meio artesanal de algumas das criações da figurinista contribui para a beleza idiossincrática do projeto. Mesmo que não componham um guarda-roupa perfeito, os figurinos deliberadamente anacrónicos de “Caravaggio” ajudaram Powell a estabelecer sua metodologia de trabalho em cinema.

Para a figurinista, tudo começa com a leitura do guião e com a visão do realizador. A partir daí, ela pensa em cor e silhueta e começa a definir o guarda-roupa a partir daí, mesmo antes de pensar em diferenciar personagens. O uso de cor, em particular, é um dos elementos mais pessoais no trabalho da figurinista, cujas paletas cheias de contrastes e têxteis em cores ricas e padrões berrantes fazem com que os figurinos sejam indissociáveis do seu nome. No que diz respeito a pesquisa histórica, esta é uma cineasta que acredita na procura por conhecimento e autenticidade, mas vê o seu trabalho como o de uma artista e não de uma arqueóloga. Por isso, suas referências nunca se resumem só ao facto histórico, incluindo também moda contemporânea, assim como artes plásticas. Sandy Powell é uma verdadeira autora cinematográfica e tudo começou com uma humilde cinebiografia sobre o mais famoso dos pintores barrocos.

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Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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