"Star Wars: Episódio IX - A Ascensão de Skywalker" | © NOS Audiovisuais

Star Wars: Episódio IX – A Ascensão de Skywalker | Primeiras Impressões

Se detestaste “Os Últimos Jedi”, o nono capítulo da saga Star Wars é capaz de ser o filme perfeito para ti. No entanto, mesmo descartando a comparação com a obra de Rian Johnson, o novo filme de J.J. Abrams deixa muito a desejar, tanto para cinéfilos como para os fãs menos doutrinados do franchise.

star wars a ascensao de skywalker critica primeiras impressoes
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Quando Rian Johnson estreou o oitavo capítulo da saga Star Wars em 2017, a crítica celebrou com muitos aplausos. O realizador tinha mantido o sentimento épico do franchise sem, no entanto, deixar que as suas exigências nostálgicas lhe envenenassem a criatividade. De facto, o ethos do filme encontra-se no ponto médio entre as filosofias do seu vilão Kylo Ren e o fantasmagórico mestre Yoda. Não nos podemos agarrar ao passado em epítetos de passividade anticrítica, mas também não nos devemos esquecer dos erros de outrora. É com conhecimento do passado, mas desapego da sua glória, que se cresce. Para muitos cinéfilos e críticos, a saga de George Lucas estava em boas mãos. Para alguns dos seus fãs mais ferrenhos, contudo, a história era bem diferente.

Houve quem apresentasse críticas dignas como dedos apontados à estrutura desequilibrada do enredo, mas a maioria das queixas focaram-se nas subversões temáticas de Rian Johnson. Falou-se na tirania do politicamente correto e muito burburinho misógino e racista levou até membros do elenco a se afastarem das redes sociais para evitar o assédio. Dois anos depois, a polémica ainda arde com chama forte e a Disney, ao invés de ignorar a birra, decidiu reformatar o franchise segundo as exigências dos fãs mais queixosos. Entra J.J. Abrams, um mestre da nostalgia que já havia realizado o episódio VII e os dados estavam lançados para um épico de “fan service” desavergonhado.

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Assim sendo, “A Ascensão de Skywalker” é uma espécie de terrível conto moral sobre ter cuidado com o que se deseja. Borda fora foi a noção igualitária que os heróis podem vir de qualquer sítio em prol de mais baboseiras sobre linhagens mágicas. Heroínas controversas foram rudemente expulsas para as margens da ação. Inteiros arcos de personagem foram rasurados e até os figurinos tiveram de sofrer regressões. Isto poderá satisfazer alguns espetadores, mas confere ao filme o aspeto de um artefacto estilhaçado e depois mal remendado, com as fendas ainda à vista. Basicamente, o filme é um pesadelo de incoerência dramática.

Enfim, esqueçamos comparações com “Os Últimos Jedi” e até com “O Despertar da Força”. Mesmo nestes parâmetros mais independentes, o novo Star Wars é uma obra de cinema disfuncional. O conflito principal é apresentado off-screen e o enredo é excessivamente complicado, querendo enfiar o que parecem ser cinco filmes diferentes na duração de duas horas e vinte minutos. Isto faz com que qualquer momento que não seja um avançar mecânico da trama seja excisado. Não há pausas para restabelecer ritmos ou para recuperar o fôlego, não há equilíbrio na estrutura macro nem na estrutura micro do edifício fílmico. Isso e o sentido de risco e de perigo sumiu. Neste mundo em que até a morte parece ser arbitrariamente desfeita, como é que nos preocupamos com os fados dos heróis?

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Nem tudo é mau, como é óbvio. O argumento e a realização, a nível rítmico e tonal, estão pejados de problemas, mas num blockbuster desta magnitude há outros elementos a considerar. Os atores são exemplares, por exemplo, com Adam Driver e Daisy Ridley a darem as suas melhores performances no franchise. Em parte, isso deve-se ao modo como eles são obrigados a resolver os trambolhos que o argumento lhes confia. Os visuais são excelentes também, com alguma iconografia maléfica dos Sith a merecer lugar de destaque no panteão cenográfico de todo o universo Star Wars. No que se refere à sonoridade da coisa, John Williams volta a compor a música e, como sempre, não há mácula a apontar nos seus esforços. “Star Wars: Episódio IX – A Ascensão de Skywalker” não é um filme incompetente ou inegavelmente mau. É pior. É medíocre.

Star Wars: Episódio IX - A Ascensão de Skywalker, em análise
star wars

Movie title: Star Wars: Episode IX - The Rise of Skywalker

Date published: 2019-12-18

Director(s): JJ Abrams

Actor(s): Daisy Ridley, Adam Driver, John Boyega, Oscar Isaac, Carrey Fisher, Mark Hamil, Domnhall Gleeson, Richard E. Grant, Lupita Nyong'o, Ian McDiarmid, Billie Lourd, Harrison Ford, Ewan McGregor, Liam Neeson, Alec Guinness, Samuel L. Jackson, Frank Oz, Kelly Marie Tran, Andy Serkis, Keri Russell, James Earl Jones, Billy Dee Williams, Domininc Monaghan, Anthony Daniels, Naomi Ackie, Jimmy Vee, Brian Herring

Genre: Ação, Aventura, Fantasia, 2019, 141 min

  • Cláudio Alves - 50
  • Rui Ribeiro - 85
  • José Vieira Mendes - 60
65

CONCLUSÃO:

Apesar da sua infindável litania de defeitos, “Star Wars: Episódio IX – A Ascensão de Skywalker” continua a ser um visionamento obrigatório para fãs do franchise. Umas boas cenas de ação lá metidas pelo meio e o empenho ferrenho da equipa criativa e do elenco muito fazem para esconder a podridão no âmago do projeto. Infelizmente, a fetidez da mediocridade é mais forte que até o mais esplendoroso dos cenários.

O MELHOR: Uma luta entre o plano físico e psíquico, ao sabor das ondas e de uma dança entre ódio e desespero. Isso e uma marioneta adorável que anda às voltas nos circuitos do nosso robot protocolar preferido.

O PIOR: O argumento é uma catástrofe daquelas que nem a Força consegue remendar.

CA

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Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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