TOP 10 Filmes Woody Allen | 2. Meia-Noite em Paris

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Meia-Noite em Paris não só é o carimbo de ouro no diário de bordo das viagens europeias de Woody Allen como um dos melhores filmes da sua carreira.

A entrada no novo milénio não correu particularmente bem a Woody Allen, que com exceção de Match Point e Vicky Cristina Barcelona, parecia profundamente desinspirado e entediado com as possibilidades de uma nova era ou, pior ainda que isso: desapaixonado pelo cinema. Felizmente, essa noção foi permanentemente apagada com a chegada daquele que foi rapidamente considerado um dos melhores filmes da sua carreira.

Misturando os usuais motivos neuróticos com uns deliciosos pozinhos de fantasia, Meia-Noite Em Paris revisitou a ousadia do início de carreira de Woody para contar a história de Gil e Inez, um par de noivos de visita a Paris e de casamento marcado mas ainda com muitas dificuldades em acertar agulhas no que diz respeito à sua vida em comum. Ele é um argumentista de Hollywood com “síndrome da Idade de Ouro” que sonha viver em Paris e escrever o romance da sua vida seguindo os parâmetros dos grandes escritores da história da literatura. Já ela é uma mulher pragmática que aspira a uma vida estável e luxuosa em Malibu, nos EUA. Uma noite, embriagado pela beleza da cidade (e algum vinho), Gil perde-se na cidade e vive a mais extraordinária experiência da sua vida num encontro com personagens que ele julgava existir apenas nas páginas da História e que o farão repensar toda a sua existência.

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Meia-Noite em Paris abre, desenvolve e fecha como um elegante postal da cidade das luzes. É importante conhecer os locais onde vamos filmar o nosso filme, e Allen não só faz isso como também se apaixona repetidamente por estes locais, e como um jovem embriagado de fascínio, filma-os. O que vemos é o resultado dessa relação quase amorosa entre o realizador e as cidades que filma, que sempre tiveram lugar de destaque no seu Cinema.

Com uma narrativa semi-surrealista, um elenco ilustre e em grande forma, um sentido de humor menos frenético e mais repousado, o que aqui se nos apresenta é um tremendo conto lírico sobre o prazer, a criatividade e o romance, e se tem o seu quê de esquizofrenia – pairando constantemente entre a realidade e a fantasia – devemos defender que o faz com a finesse de quem trata a arte por “tu”, implodindo, sem medos nem rodeios, numa ruminação sobre o modernismo, a fantasia e a nostalgia, elevando-se a um dos mais fantásticos e criativos trabalhos de Woody Allen.

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Catarina Oliveira

Licenciada em Ciências da Comunicação e com formação complementar em Design Gráfico, além de editora e diretora criativa da MHD é também uma das sócias fundadoras da mais recente face da empresa. Colaboradora de Cinema na Vogue Portugal. Gestora de conteúdo na Lava Surf Culture e NOS Empresas - Criar uma Empresa. Autora do blog de Cinema Close-Up.

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